Pensar-sentir o corpo: em torno das sensorialidades antropofágicas

Thaís Gonçalves

Resumo


Corpos estranhos, disformes, desfigurados, desarticulados acolhidos como material para uma composição em dança. A pesquisa da coreógrafa Juliana Moraes e do ator Gustavo Sol no processo de criação da série coreográfica Peças curtas para desesquecer, junto à Companhia Perdida, produz uma dança que fricciona a linguagem artística por fazer emergir das sensações um tipo de coreografia cujas narrativas desafiam linearidades, figuratividades e o tempo-espaço da cena. Inspirados pela musculatura afetiva de Antonin Artaud, pelos objetos relacionais e a Estruturação do self de Lygia Clark e por uma metodologia focada na criação de estados de presença poética (Sol) e de texturas de movimento (Moraes) que modificam a fisiologia do corpo, os artistas trabalham no limiar de uma sensorialidade antropofágica. Corpos que se desfazem e se refazem, num processo de devoração e deglutição de si e de outros, corpos vibráteis. De que natureza é essa dança? “Quando uma sensação se produz, ela não é situável no mapa e sentidos de que dispomos e, por isso, nos estranha”, diz Suely Rolnik.


Palavras-chave


Processos de criação; Sensorialidade; Antropofagia; Estados de presença poética

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